Tola Malembe, a princesa que virou história


Imagem: Bebeto e a princesa Tola Malembe - IA-inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá
Inspirado na música de Bebeto, um mito de amor, ancestralidade e destino
Gravada em 1981 no álbum Batalha Maravilhosa, pela RCA Victor, a música Tola Malembe integra o repertório de Bebeto, artista conhecido como o Rei do Sambalanço. A composição é assinada por Bebeto, Luiz Comanche e Serginho Meriti.
A canção apresenta uma declaração de amor a uma mulher negra, cuja beleza encanta o amanhecer e transforma a intimidade dos amantes em poesia. A imagem de uma princesa de Angola, evocada na música, inspirou a criação deste mito, que atravessa continentes, encontra a ancestralidade africana e desemboca em uma história de amor no Brasil.
A história a seguir é uma criação minha, Paulo de Oxalá, construída a partir da inspiração poética da obra musical.
O mito de Tola Malembe por Pai Paulo de Oxalá
A saga se passa em 1888, quando os interesses coloniais britânicos avançavam sobre territórios da África Oriental. Foi nesse cenário imaginado que nasceu a história de uma princesa chamada Tola Malembe.
Filha do rei Lembungu e da rainha Zola, de origem baganda, Tola cresceu cercada de honras, tradições e ensinamentos de seus ancestrais. Mas a tranquilidade de seu reino foi ameaçada pela opressão exercida pelas forças coloniais.
Para proteger a filha, seus pais tomaram uma decisão dolorosa. A princesa precisaria partir para longe de sua terra natal, deixando para trás o reino, a família e tudo aquilo que conhecia.
O destino a levou a Angola, onde cresceu em graça e beleza, guardando consigo a memória de suas origens. Ainda jovem, embarcou em um navio português rumo ao Brasil, que havia abolido oficialmente a escravidão naquele mesmo ano de 1888.
Em terras brasileiras, Tola conheceu Antônio Guimarães, um português que se encantou profundamente por ela. O sentimento foi tão intenso que ele decidiu homenagear a princesa dando seu nome à fazenda que possuía no Norte Fluminense, no estado do Rio de Janeiro.
Diz a lenda que a propriedade ficou conhecida pelas festas grandiosas oferecidas por seu proprietário. Mas nenhuma riqueza se comparava ao amor que Antônio dedicava à princesa.
Tola vivia ornada de joias e recebia demonstrações de carinho, mas sua maior riqueza era o respeito que conquistava daqueles que conviviam com ela, inclusive os trabalhadores da fazenda.
Dessa união nasceram cinco filhos, que deram continuidade à história da família e à memória daquela mulher que havia atravessado o oceano levando consigo as marcas de sua ancestralidade.
O tempo passou, mas a história de Tola Malembe permaneceu viva na imaginação daqueles que conheceram sua trajetória. E, como acontece com tantas histórias que atravessam gerações, o amor ganhou a força da poesia e encontrou na música de Bebeto uma inspiração para continuar encantando corações.
Tola Malembe tornou-se, assim, muito mais do que o nome de uma princesa. Tornou-se o símbolo de uma mulher que, mesmo afastada de sua terra, carregava consigo a dignidade, a beleza e a força de suas raízes.
A história que criei a partir dessa canção nos lembra que a vida pode nos conduzir por caminhos inesperados. Nem sempre compreendemos as partidas, as mudanças ou os obstáculos que encontramos pelo caminho. Mas a fé, a coragem e a esperança podem nos ajudar a seguir em frente.
Nunca duvide da força da sua fé, pois ela é a fortaleza que sustenta seus passos, protege você nos momentos difíceis e conduz você às vitórias.
Axé para todos!




Comentários