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Quais são os Orixás guerreiros, afetuosos, conciliadores e paternais?

Foto do escritor: Paulo de Oxalá
Paulo de Oxalá
há 11 horas
3 min de leitura

Imagem: Atuação e características dos Orixás - IA-inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá


E Exu? Qual é o seu atributo?

 

Na cultura yorùbá, Olódùmarè é o grande criador de tudo o que existe, do universo àquilo que os olhos humanos não conseguem enxergar. Sua criação está interligada à natureza, cujos elementos expressam forças, movimentos e transformações que também encontramos em nossa própria existência.

 

Os Orixás fazem parte dessa relação sagrada entre o ser humano e a natureza. Suas características, compreendidas a partir dos mitos e das tradições, oferecem ensinamentos que nos ajudam a refletir sobre nossos sentimentos, nossas atitudes e a maneira como conduzimos a vida.

 

É claro que cada pessoa tem seu próprio Orí e seu Odù, e que a personalidade humana não pode ser definida exclusivamente pelas características de um Orixá. Entretanto, algumas dessas qualidades podem nos ajudar a compreender determinados comportamentos, tendências e maneiras de enfrentar os desafios da existência.

 

A pluralidade de Exu

 

Èṣù-Exu ocupa um lugar fundamental na tradição yorùbá. Associado à comunicação, ao movimento, à circulação do àṣẹ e à dinâmica das relações, Exu não se limita a uma única característica. É plural, atuando em diferentes dimensões da existência e lembrando-nos de que o mundo está em constante transformação.

 

Na vida humana, podemos encontrar nessa multiplicidade uma reflexão sobre nossa capacidade de dialogar, fazer escolhas, assumir consequências e compreender que cada ação produz desdobramentos. Exu também nos mostra que a comunicação, a inteligência e a astúcia são forças importantes nas relações entre as pessoas.

 

Seu atributo não deve, portanto, ser entendido como uma simples qualidade de personalidade, pois além de ter primazia em tudo, Exu possui importância fundamental em nossas vidas, e nos ritos dedicados aos Orixás.

 

Os Orixás guerreiros

 

Ògún, Ọdẹ-Ọ̀ṣọ́ọ̀sí, Yemọja, Ọ̀ṣun-Ọ̀pàrà, Yánsàn, Ṣàngó, Yemọja-Òguntẹ́, Iyewa, Ọbà e Òṣàgiyán estão entre os Orixás associados, em diferentes aspectos de seus mitos e tradições, à guerra, à coragem, à defesa e à capacidade de enfrentar obstáculos.

 

Em nós, essas características podem ser relacionadas à determinação, à iniciativa, à resistência e à disposição para lutar pelo que consideramos justo. Mas é preciso compreender que ser guerreiro não significa viver em conflito. A verdadeira coragem também está em saber a hora de avançar e o momento de recuar.

 

Os Orixás afetuosos

 

Lógun Ẹ̀dẹ, Òṣùmàrè, Ọ̀ṣun, Ibéjì e Yemọja apresentam, em suas tradições, aspectos que podemos relacionar ao afeto, à sensibilidade, à alegria e aos vínculos que construímos com outras pessoas.

 

Essas referências nos convidam a valorizar o amor, a amizade, o acolhimento e a capacidade de demonstrar sentimentos. Afinal, a sensibilidade não diminui ninguém. Saber cuidar, compartilhar alegrias e reconhecer as necessidades do outro também exige força e maturidade.

 

Os Orixás conciliadores

 

Ọ̀ṣun, Yemọja, Nàná e Òṣàlúfọ́n-Ọbàtálá nos permitem refletir sobre a diplomacia, a ponderação, a paciência e a busca pelo equilíbrio nas relações humanas.

 

Em um mundo no qual tantas pessoas querem ter razão, conciliar exige sabedoria. É preciso saber ouvir, respeitar as diferenças e compreender que nem toda divergência precisa terminar em confronto. Conciliar, porém, não significa aceitar injustiças ou abrir mão dos próprios princípios.

 

Os Orixás paternais

 

Ọ̀sányìn, Ìrókò, Ọmọlu-Ọbalúwáiyé e Òṣàlúfọ́n-Ọbàtálá também podem ser associados, a partir de diferentes aspectos de seus ritos, à proteção, à experiência, à transmissão de conhecimentos e à responsabilidade com a vida.

 

Essas características nos remetem à importância de orientar sem impor, proteger sem aprisionar e compartilhar ensinamentos sem acreditar que sabemos tudo. A verdadeira autoridade não precisa ser exercida pelo medo, mas pode se manifestar por meio do exemplo, da responsabilidade e do respeito.

 

É importante lembrar que essas classificações são uma maneira de organizar a reflexão, e não uma definição absoluta dos Orixás. Os mitos variam entre tradições, e um mesmo Orixá pode revelar aspectos distintos, conforme sua manifestação e o contexto religioso.

 

Nós, seres humanos, também somos assim: carregamos coragem e sensibilidade, firmeza e afeto, razão e emoção. Conhecer as características dos Orixás pode nos ajudar a olhar para dentro de nós, sem esquecer que cada pessoa tem seu próprio caminho, seu Orí e seu Odù.

 

A sabedoria está em reconhecer nossas qualidades, trabalhar nossas dificuldades e aprender a conviver com as diferenças.

 

Ìwà l’ẹwà ẹ̀mí! (O caráter é a beleza da alma!)

 

Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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