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Oxalá nos mostra que a verdade é fruto da retidão e do equilíbrio de Orí

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Imagem: Oxalá, o Orixá da paz – IA, inspirada na foto de Pai Paulo de Oxalá virado com Oxalá


A ganância e o desequilíbrio de Orí alimentam os conflitos da vida

 

Oxalá, o Grande Orixá da criação, nos ensina que a vida só encontra seu verdadeiro sentido quando é construída sobre três pilares fundamentais: a verdade, o equilíbrio e o bom caráter. Em um mundo marcado pela pressa, pela aparência e pela necessidade constante de aprovação, seus ensinamentos permanecem atuais e necessários. Afinal, nenhuma sociedade se sustenta sem confiança, nenhuma família prospera sem respeito e nenhum ser humano encontra paz quando se afasta da própria consciência.

 

A tradição nos ensina que Orí, a divindade individual que habita cada pessoa, é responsável por orientar nossos pensamentos, escolhas e caminhos. Por isso, a verdade ensinada por Oxalá não é apenas uma questão de palavras ou versões dos fatos. Ela está na integridade das decisões, na coerência entre aquilo que pensamos, falamos e realizamos. A verdadeira honestidade começa dentro de nós.

 

Um Orí equilibrado conduz o ser humano à prudência, à responsabilidade e ao discernimento. Faz com que a pessoa compreenda as consequências dos seus atos e desenvolva a capacidade de agir com justiça, mesmo quando ninguém está observando. Já um Orí dominado pela ganância, pelo orgulho, pela vaidade ou pela ilusão cria conflitos desnecessários, que afligem a vida das pessoas à sua volta e, muitas vezes, de toda uma sociedade.

 

Muitas das guerras e violências das quais tomamos conhecimento começaram, na verdade, dentro das pessoas. Antes de existir uma disputa externa, houve um desequilíbrio interno. Antes da violência, houve a incapacidade de ouvir a própria consciência. Antes da injustiça, houve o abandono dos valores que sustentam a dignidade humana. Nem sempre os maiores combates acontecem entre povos ou nações. Frequentemente, eles acontecem dentro de cada um de nós.

 

Tudo que Oxalá realiza acontece através da calma, da paciência e da sabedoria. Oxalá não é um Orixá da pressa, da impulsividade ou da violência. Sua força está na serenidade. Sua autoridade está na retidão. Seu poder está na capacidade de construir, criar, harmonizar e transformar sem destruir.

 

Talvez por isso sua mensagem seja tão necessária nos dias atuais. Vivemos em um tempo em que muitos falam sem refletir, julgam sem conhecer e condenam sem compreender. A aparência frequentemente recebe mais valor do que a essência. As opiniões são emitidas com rapidez, mas a reflexão se torna cada vez mais rara. Todos querem ser ouvidos, mas poucos estão dispostos a ouvir.

 

Oxalá nos ensina justamente o contrário. Ele nos recorda que a verdade não precisa gritar para existir. Ela permanece firme mesmo quando é questionada. Não depende de aplausos, seguidores ou aprovação coletiva. A verdade continua sendo verdade, mesmo quando poucos têm coragem de reconhecê-la.

 

A hipocrisia prospera quando o ser humano se preocupa excessivamente com aquilo que demonstra aos outros e pouco com aquilo que cultiva dentro de si. A verdade de Oxalá segue um caminho diferente. Ela nos convida a olhar para o próprio interior. Antes de exigir honestidade dos outros, devemos avaliar a nossa própria conduta. Antes de apontar erros alheios, precisamos reconhecer as nossas limitações. Antes de cobrar paz do mundo, devemos construir paz dentro de nós mesmos.

 

Não por acaso, funfun mímọ́, o branco sagrado, é a cor de Oxalá. Ele representa pureza, equilíbrio, serenidade e paz. Seu àlà funfun, o manto branco, simboliza proteção, acolhimento e sabedoria. Mais do que uma vestimenta ritual, representa um compromisso permanente com valores que elevam a condição humana. O branco de Oxalá não deve estar apenas nas roupas. Deve estar nos pensamentos, nas palavras, nas escolhas e nas atitudes.

 

A grande lição de Oxalá é que não existe paz duradoura sem verdade, assim como não existe verdade plena sem caráter. O ser humano pode esconder intenções, criar aparências e convencer multidões, mas jamais conseguirá ocultar sua essência diante do próprio Orí e das forças sagradas que regem a criação.

 

Por isso, a verdadeira força não está em parecer correto diante dos outros, mas em ser correto quando ninguém está olhando. A verdadeira vitória não é vencer alguém, mas vencer as próprias imperfeições. A verdadeira riqueza não está no acúmulo de bens, mas na construção de uma vida digna. E a verdadeira paz não é a ausência de problemas, mas a tranquilidade de quem caminha em sintonia com sua consciência.

 

Que possamos aprender com Oxalá a cultivar palavras sinceras, atitudes justas e pensamentos equilibrados. Que a verdade tenha mais valor do que a conveniência. Que a retidão tenha mais força do que a vaidade. E que a paz do Grande Pai ilumine nossos caminhos hoje e sempre.

 

Eèpàà Bàbá Ńlá! (Respeitos ao Grande Pai!)


Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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