top of page

Os toques e as danças dos Orixás são ensinamentos em movimento

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • 3 de jun.
  • 3 min de leitura

Foto: Orixás em festa - IA-inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá


Quando os atabaques falam ao coração

 

Em um Terreiro, quando os atabaques começam a ser tocados, um som sagrado atravessa o ambiente, alcança o orí (cabeça), percorre o corpo, acelera o coração e desperta a memória ancestral.

 

No Candomblé, os atabaques não são apenas instrumentos musicais. Eles são veículos de comunicação entre o mundo material e o sagrado. Cada toque possui uma identidade própria, uma finalidade específica e uma ligação direta com os Orixás. É por meio deles que as tradições dos cânticos africanos permanecem vivas, transmitindo valores e ensinamentos de geração em geração.

 

Além de representarem os mitos sagrados, as danças dos Orixás nos oferecem a oportunidade de dançar junto às divindades, vivenciando sua presença, seus ensinamentos e seu axé.

Quando Exu dança ao som do Jìká, vemos a energia dos caminhos, das escolhas e do movimento constante da vida. Em Ògún, o mesmo ritmo ganha a força da luta, da conquista e da coragem necessária para enfrentar desafios.

 

O Àgẹ̀rẹ̀ de Oxóssi ecoa como um convite à busca dos objetivos. Seus gestos lembram que a prosperidade não nasce apenas do desejo, mas da determinação de seguir em frente. Já Òsányìn, ao som do seu Kọrin Ewé, a "cantiga das folhas", conduz o olhar para a sabedoria das ervas, da cura e do conhecimento acumulado pela experiência.

 

Os movimentos lentos do Ọpanijẹ, dançado por Ọmọlu, Ọbalúwáiyé, Nàná e Yemọja, falam sobre os ciclos da vida, o respeito ao tempo e a importância da saúde física e espiritual. É um ritmo que ensina que toda transformação exige paciência.

 

Com Òṣùmàrè, o Bravun traduz movimento e renovação. Seus gestos lembram a serpente que nunca permanece imóvel, ensinando que crescer é adaptar-se sem perder a própria essência.

 

Quando a Hamunha, também conhecida como Avamunha, toque sagrado em que Ìrókò dança, ressoa pelo terreiro, a mensagem é clara: o tempo continua avançando. Não importa quantas dificuldades surjam, é preciso continuar caminhando

 

O Àlujá de Ṣàngó chega como um trovão. É vigor, liderança e justiça transformados em dança. O Ijexá de Òṣun, por sua vez, revela delicadeza, inteligência emocional e a força da suavidade, mostrando que nem toda vitória é conquistada pela imposição.

 

Os ventos de Ọya parecem atravessar o Terreiro quando o Ìlù Fọ́ Àwo, popularmente conhecido como "quebra-prato", começa a tocar. Sua dança é um chamado à coragem para enfrentar mudanças e superar obstáculos. Já os movimentos de Ọbà e Iyewa, conduzidos pelo Ogelẹ̀, lembram a importância da estratégia, da observação e da resistência.

 

Nas celebrações de Ibéjì, o Bàtàá, que também pertence à Ṣàngó, toma a forma da alegria que contagia o ambiente e exalta a pureza das crianças, mostrando que a felicidade também é uma bênção sagrada. Enquanto isso, Òṣàgiyán surge dançando ao som do Ijexá, como símbolo da juventude que constrói, transforma e realiza.

 

Por fim, o compassado Ìgbìn de Òṣàlúfọ́n ensina uma das maiores lições da existência: a de que a verdadeira sabedoria não está na velocidade, mas na constância.

 

Por isso, cantar e dançar para os Orixás é preservar a memória dos ancestrais, renovar a fé e fortalecer valores que permanecem atuais. Cada toque conta uma história. Cada dança transmite um ensinamento. E cada batida dos atabaques recorda que a espiritualidade também pode ser sentida pelo corpo e pelo coração.

 

Ó dùn tó bẹ́ẹ̀ láti kọrin àti jó fún ìgbàgbọ́ nínú àwọn Òrìṣà! (Como é bom cantar e dançar pela fé nos Orixás!)

 

Axé para todos!

 
 
 

Comentários


WhatsApp-icon.png

Todos os Direitos Reservados a Paulo de Oxalá

R. das Laranjeiras, Rio de Janeiro - RJ

+55 (21) 2556-9009

+55 (21) 99400-7107

paulodeoxala@uol.com.br

Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

  • Instagram ícone social
  • YouTube Social  Icon
  • Facebook Basic Square
bottom of page