O axé das Helenas do Maneco
- Paulo de Oxalá

- 11 de jan.
- 2 min de leitura

Foto: Manoel Carlos e suas Helenas - Imagem inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá
O axé das Helenas do Maneco
Viva os nomes Dandara, Ayana, Sodere, Onoryne
Há nomes que não são apenas sons, são forças.
Há nomes que carregam destino, dança, memória e axé.
Helena é um deles.
Nome que atravessa tempos, corpos e histórias, como se cada Helena trouxesse em si um chamado ancestral. No axé dos nomes, Helena vibra como rio que corre firme, suave na superfície e profundo na essência.
Nos terreiros da vida, aprendemos que o nome também dança.
E, se olharmos para as raízes africanas, veremos nomes como Dandara, Ayana, Onoryne, Sodere e Makeba. São nomes que não caminham, eles gingam e dançam ao som dos atabaques, carregando coragem, beleza, resistência e destino. Assim como Helena, cada um deles traz um propósito que não se apaga.
E foi assim que o autor Manoel Carlos, o Maneco das palavras e novelas, consagrou suas Helenas.
Cada Helena escrita por ele não era apenas personagem ou arquétipo. Cada Helena é mulher forte, amorosa e inteira. Helenas que amaram demais, erraram e também recomeçaram. Helenas que refletiam o espelho do Brasil e da alma feminina.
Com a partida de Maneco, não se encerra a história, firma-se o axé da força do nome.
Porque as Helenas permanecem vivas na memória coletiva, assim como os nomes africanos permanecem vivos na oralidade, no corpo, na dança e na fé.
Quando um nome é dito com verdade, ele não morre.
Quando uma história é contada com axé, ela se transforma em ancestralidade.
As Helenas do Maneco agora caminham entre o tempo e o eterno.
E dançam.
Porque todo nome que tem axé dança para nunca desaparecer.
Obrigado, Manoel Carlos, por nos mostrar a força de suas Helenas.
Axé para todos!
Nota: O autor de novelas Manoel Carlos morreu neste sábado, 10 de janeiro de 2026, aos 92 anos. Ele estava internado num hospital no Rio e enfrentava complicações da doença de parkinson.




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