Exposição "Orixá – Um Sopro de Vida" chega à Espanha retratando os Orixás nos Terreiros de Candomblé
- Paulo de Oxalá

- há 17 horas
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Fotos: Acervo: "Orixá – Um Sopro de Vida" - divulgação
Fotojornalista Carlos Junior reúne 25 anos de registros realizados no Rio de Janeiro
Com um olhar sensível e apurado, o fotojornalista e documentarista Carlos Junior levará a exposição "Orixá – Um Sopro de Vida" à Universidade de Salamanca, na Espanha. A mostra apresenta ao público europeu um recorte de 25 anos de dedicação à documentação das tradições do Candomblé, reunindo imagens produzidas em diversos terreiros do Estado do Rio de Janeiro.
Morador de Jacarepaguá, o carioca construiu, ao longo de quase três décadas, um dos mais importantes acervos fotográficos sobre as religiões de matriz africana. Suas lentes registram não apenas rituais e espaços sagrados, mas também a espiritualidade, a ancestralidade e a força cultural presentes nas casas de Candomblé.
Com exclusividade para o blog, Carlos Junior fala sobre sua inspiração e o significado da exposição:

Foto: Carlos Junior com foto da Exposição – arquivo pessoal
Blog: O que o levou a entrar nos Terreiros de Candomblé e registrar os Orixás por meio da fotografia, mesmo não sendo praticante da religião?
Carlos Junior: Não sou candomblecista, mas carrego uma profunda admiração, respeito e reconhecimento dessa herança, que é a alma viva da cultura brasileira e das raízes africanas que nos formam. Minha inspiração não nasceu da vivência religiosa, mas do desejo de enxergar e fazer enxergar. Quis registrar não apenas rostos, gestos ou rituais, mas a essência, a energia e a história que vivem em cada Terreiro.
Blog: Como foi a sua percepção dos Terreiros ao longo desses 25 anos de trabalho?
Carlos Junior: Descobri que o Terreiro é muito mais do que um espaço físico. É um lugar onde o invisível se torna presente e onde a memória de gerações se renova em cada canto, em cada gesto e em cada toque dos atabaques. Como fotógrafo, senti que meu papel era chegar com humildade e silêncio para registrar essa realidade, apenas acolhendo tudo por meio do olhar.
Blog: Por que a escolha pela fotografia em preto e branco?
Carlos Junior: Foi uma decisão consciente. O preto e branco elimina a distração das cores para revelar aquilo que realmente importa: a luz moldando os corpos, a textura das roupas, a força das expressões e a profundidade das sombras. Ele aproxima tudo do essencial e transforma cada fotografia em um testemunho atemporal, como se cada imagem fosse uma página viva de uma história que jamais poderá ser apagada.
Blog: O fato de não pertencer à religião influencia sua forma de fotografar?
Carlos Junior: Sim. Acredito que meu olhar seja um olhar de ponte. Venho de fora, mas procuro chegar com abertura para aprender, compreender e traduzir visualmente aquilo que é sagrado para tantas pessoas. Não tento explicar os Orixás nem defini-los. Procuro apenas registrar o sopro de vida que eles representam, como alguém que escuta uma língua nova e tenta reproduzir sua melodia com o máximo de respeito.
Blog: O que representa levar essa exposição para a Espanha?
Carlos Junior: No Brasil, as religiões de matriz africana ainda enfrentam preconceito, discriminação e até violência. Ao levar essas imagens para a Espanha, retiramos essa cultura do lugar do "desconhecido", do "inferior" ou do "exótico distante" e a apresentamos como ela realmente é: uma filosofia de vida, uma forma de compreender o mundo, um sistema de valores, beleza e sabedoria. Os Orixás não são apenas entidades religiosas, mas representam as forças da natureza, as virtudes humanas e uma história de resistência. Espero que minhas fotografias emocionem, ensinem e mostrem que o Brasil também é feito de heranças africanas, fundamentais para a construção da nossa identidade.
Ao longo desses 25 anos de trabalho, Carlos Junior dedicou-se a dar voz e visibilidade às expressões culturais das nações Ketu, Angola, Jeje e Efon, valorizando um patrimônio religioso, histórico e humano que atravessa gerações.
A exposição ficará aberta ao público espanhol a partir de 11 de novembro de 2026 e integra as comemorações pelos 25 anos do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca. A instituição é reconhecida por promover pesquisas e ações voltadas à divulgação da realidade brasileira no continente europeu, fortalecendo o intercâmbio cultural entre Brasil e Espanha.
Mais do que uma exposição fotográfica, "Orixá – Um Sopro de Vida" torna-se uma ponte entre continentes, apresentando ao mundo a riqueza espiritual, artística e cultural das religiões de matriz africana e reafirmando a importância desse legado para a identidade brasileira.
Ọ̀nà iṣẹ́ ọnà tí a fi ìfẹ́ ṣe jẹ́ ìmọ́lẹ̀ fún ojú! (A arte feita com amor é luz para os olhos!)
Axé para todos!




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