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Anitta faz de EQUILIBRIVM II um tributo aos Orixás

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Imagem: mosaico de artistas populares e religiosos - organizado por IA


Cantigas de Terreiro atravessam gerações e seguem inspirando cantores populares e religiosos

 

O novo álbum "EQUILIBRIVM II" reafirma a presença dos Orixás na música brasileira e fortalece uma tradição construída por artistas populares e religiosos ao longo de mais de um século.

 

Muito antes de a espiritualidade afro-brasileira ganhar espaço nas plataformas digitais e nos grandes festivais de música, os cânticos de Terreiro já ecoavam pelo Brasil. Eles atravessaram gerações, romperam preconceitos e ajudaram a formar a identidade sonora do país. Hoje, ao lançar "EQUILIBRIVM II", Anitta dá continuidade a essa tradição centenária, levando o axé dos Orixás para milhões de ouvintes dentro e fora do Brasil.

 

Lançado em 23 de julho, o nono álbum de estúdio da cantora é, acima de tudo, uma declaração de pertencimento. Em praticamente todas as faixas, Anitta faz referências à espiritualidade, à ancestralidade e às religiões de matriz africana. Atabaques marcando o ritmo do ijexá e tambores entoando pontos tradicionais de Umbanda dialogam com o funk, o reggae, o forró e a música pop, mostrando que tradição e modernidade podem caminhar lado a lado.

 

Mais do que cantar sobre sua fé, Anitta, que é filha de Lógun Ẹ̀dẹ, transforma sua espiritualidade em arte. Em tempos em que muitos ainda sofrem preconceito por professarem sua fé nos Orixás, sua postura representa um importante gesto de valorização da cultura afro-brasileira. É um ato de coragem, identidade e respeito às raízes que ajudaram a formar a nação brasileira.

 

Ao comentar o lançamento do álbum, a cantora afirmou:

 

"Me coloquei inteira nesse disco. Quem ouvir vai perceber isso. São músicas que têm muito da minha espiritualidade, da minha visão de mundo, das brasilidades que me encantam e pitadas autobiográficas também."

 

Não por acaso, Anitta considera "EQUILIBRIVM", partes I e II, o projeto mais importante de sua carreira. E faz sentido: esse trabalho demonstra, de forma clara, seu profundo amor pelos Orixás.

 

Uma história que começou há mais de um século


Ainda no início do século XX, Tia Ciata, uma das maiores Yalorixás baianas radicadas no Rio de Janeiro, abriu sua casa para o nascimento do samba urbano carioca. Em seus quintais, sambistas, compositores e filhos de santo conviviam naturalmente, permitindo que pontos e cantigas de Terreiro influenciassem profundamente o cancioneiro popular brasileiro.

 

Na década de 1930, Dorival Caymmi eternizou "O Que É Que a Baiana Tem?", imortalizada na voz de Carmen Miranda. Inspirada nas baianas de acarajé — muitas delas iniciadas nos Terreiros da Bahia —, a canção apresentou ao Brasil símbolos, indumentárias e referências profundamente ligadas ao universo dos Orixás.

 

Ao longo das décadas seguintes, inúmeros artistas mantiveram viva essa herança

 

No universo religioso, nomes como J. B. de Carvalho, Átila Nunes, Luiz da Muriçoca e tantos outros gravaram pontos de Umbanda e cantigas de Candomblé em discos históricos, preservando cânticos que continuam sendo executados nos Terreiros até hoje. Inclusive, Anitta presta homenagem a esse legado ao utilizar, na faixa "Feitiço", um sample do clássico ponto de Exu "Botaram Feitiço", gravado por J. B. de Carvalho, estabelecendo um elo entre o passado e o presente da música afro-brasileira.

 

Entre os grandes nomes da música popular, poucos representam tão bem essa ligação quanto Clara Nunes. Sua obra transformou os Orixás em poesia, fez do samba um instrumento de afirmação da ancestralidade e levou milhões de brasileiros a conhecer expressões da cultura afro-religiosa por meio da música.

 

Hoje, felizmente, essa tradição permanece viva por meio de artistas que mantêm essa chama acesa dentro e fora dos Terreiros.

 

O cantor umbandista Sandro Luiz emociona plateias lotadas ao levar cânticos tradicionais aos teatros de todo o Brasil. Tião Casimiro, considerado por muitos a voz de ouro da Umbanda, continua sendo referência para gerações. Luan Pureza amplia as fronteiras dessa musicalidade, com apresentações já agendadas em diversos países da Europa. Beatriz Nascimento, Manu de Oxum e tantos outros intérpretes seguem mostrando que a música de Terreiro continua viva, respeitando a tradição e, ao mesmo tempo, dialogando com novos públicos.

 

Esse movimento demonstra que a música de Terreiro jamais pertenceu apenas aos espaços sagrados. Ela sempre dialogou com a cultura popular brasileira. Está presente no samba, no afoxé, na MPB, no maracatu, no ijexá, no pagode, no reggae e, agora, também no pop contemporâneo.

 

Mais do que entretenimento, essas canções preservam idiomas africanos, contam histórias, exaltam os Orixás, transmitem ensinamentos e mantêm viva uma herança que atravessa séculos.

 

Ao colocar Ogum, Exu, os tambores, os pontos tradicionais e a ancestralidade no centro de um dos maiores lançamentos da música brasileira, Anitta ajuda a romper estigmas e reafirma que a cultura dos Terreiros faz parte da identidade nacional.

 

Que seu sucesso inspire novas gerações de artistas a cantar, sem medo e com orgulho, a riqueza das religiões de matriz africana. Porque, quando os tambores tocam, não é apenas a fé que se manifesta. É a própria história do Brasil que continua sendo cantada.

 

Kí ìgbàgbọ́ àwọn Òrìṣà yè! (Viva a fé nos Orixás!)

 

Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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