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Uma umbandista e um evangélico inspiram o respeito religioso na novela Três Graças

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura

Fotos: Luiza Rosa e Davi Alvarez – redes sociais


A pluralidade da fé preservando as histórias

 

Diversidade vai além da simples presença de diferentes grupos, abrangendo também a equidade e a inclusão na sociedade. Pensar e agir com liberdade é um legado da luta dos nossos ancestrais, que ainda se consolida no mundo atual. No quesito fé, é importante que todos entendam e respeitem o credo do outro. Em pessoas públicas, isso se torna ainda mais significativo, pois elas acabam sendo exemplos de comportamento e de vida. É exatamente o que acontece com a atriz Luiza Rosa e o ator e cantor Davi Alvarez, que estão em evidência por caminhos distintos, porém simbólicos, na novela Três Graças.

 

Em Três Graças, atual novela das nove da TV Globo, a diversidade religiosa ganha contornos potentes ao se materializar em trajetórias que se cruzam pela arte. De um lado, Luiza Rosa, umbandista e filha de Yemanjá em sua vivência espiritual, dá vida a Kellen, uma personagem evangélica que vive em uma comunidade periférica. Do outro, Davi Alvarez, hoje evangélico, foi a inspiração real para a criação de Crô, personagem eternizado por Marcelo Serrado em Fina Estampa, exibida em 2011, e que agora retorna milionário e cheio de carisma em Três Graças, com participação prevista para a última semana de janeiro.

 

Luiza Rosa está no horário nobre carregando não apenas a força de um novo rosto, mas também uma história marcada por fé, persistência e pertencimento. Umbandista, ela vê na própria espiritualidade um caminho de ampliação do olhar e de combate ao preconceito. Ao interpretar Kellen, Luiza optou por uma construção naturalista, focada no cotidiano, nas relações humanas e na vida comunitária, mais do que em estereótipos religiosos. Para ela, a fé é um sentimento universal que atravessa diferentes crenças e se manifesta de formas diversas.

 

Criada em Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a atriz reconhece nas comunidades retratadas pela novela, como a fictícia Chacrinha, traços muito semelhantes à sua própria vivência numa grande cidade. Essa identificação aparece no corpo, na fala, no cabelo natural exibido em horário nobre e na resposta emocionada do público, especialmente de mulheres pretas e crianças que se veem representadas na tela. Em um país onde a televisão ainda tem enorme alcance, Luiza entende sua presença como um ato forte e afetivo de ocupar espaços para abrir caminhos a outros que virão.

 

Se a trajetória de Luiza aponta para o diálogo e o respeito entre crenças, a história de Davi Alvarez é marcada pela transformação pessoal e pela reconstrução de si. Nascido no Uruguai e morador de Niterói, Davi ficou nacionalmente conhecido ao ser identificado como a inspiração do icônico Crô, o mordomo espalhafatoso de Fina Estampa. Na época, viveu intensamente a exposição midiática, com capas de revistas, matérias em jornais e também episódios difíceis, como quando foi vítima de agressão em uma boate no Rio de Janeiro.

 

Anos depois, distante não apenas do glamour, Davi passou a compartilhar nas redes sociais histórias, do enfrentamento ao vício em drogas e álcool. Neste momento, ele celebra mais de quinhentos dias de sobriedade e não esconde que a fé teve papel central nesse processo. Batizado na igreja evangélica no ano passado, Davi fala abertamente sobre conversão, propósito e recomeço. Em publicações emocionadas nas redes, agradece a Deus pela força para atravessar o processo sem negociar a própria verdade. Essa caminhada virou também conteúdo, reunida na série de vídeos Do Crô a Cristo, em que ele revisita o passado e afirma o presente com coragem.

 

O retorno de Crô em Três Graças, novamente interpretado por Marcelo Serrado, carrega simbolismos que vão além do humor. O personagem, agora milionário, volta à televisão enquanto seu inspirador real vive uma fase de sobriedade, fé e reconstrução. De maneira curiosa e profundamente brasileira, a ficção e a vida se espelham, um evangélico que inspirou um personagem icônico da teledramaturgia e uma umbandista que interpreta, com respeito e humanidade, uma mulher evangélica.

 

Esses encontros revelam como a arte pode ser território de escuta, atravessamento e convivência. Em tempos de intolerância religiosa e discursos de exclusão, Três Graças reflete, dentro e fora da tela, histórias que reafirmam a liberdade de crença e a possibilidade de coexistência. Seja pelos Orixás que guiam Luiza Rosa, seja pela fé em Deus que Davi Alvarez hoje professa, o que se destaca é a potência de trajetórias que não se anulam e que, ao contrário, se iluminam.

 

Por consequência, a novela reafirma algo essencial, a fé não é barreira quando há respeito e a diversidade não se transforma em conflito quando há humanidade. Entre a Umbanda e o evangelho, entre a ficção e a vida real, Três Graças se torna palco de histórias que lembram ao público que vidas de diferentes caminhos podem ser referência e que respeitar a liberdade de fé do outro é responsabilidade de cada um de nós.


Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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