O compadre arreda para deixar as poderosas passarem
- Paulo de Oxalá

- 17 de jan.
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Foto: Tranca Ruas e as Pombagiras – Pai Paulo de Oxalá
Salve a força das Pombagiras
Arreda, compadre, arreda homem, que as poderosas comadres vão passar. Afasta o teu passo, porque quando elas chegam até o vento pede licença. O chão treme, a noite se veste de vermelho e preto e as encruzilhadas entendem que ali não cruza qualquer destino, cruza poder.
Primeiro vem Maria Padilha, rainha de palavra firme e riso afiado. Chega com perfume de mistério e olhar que não aceita prisão. Ensina que amor não é corrente e que quem tenta dominar aprende cedo a cair. Maria Padilha não pede passagem, ela simplesmente abre caminho.
Logo atrás pisa Maria Navalha, saia brilhando como lâmina e verdade na boca. Ela corta falsidade, rasga traição e lembra que mulher nenhuma nasceu para sofrer calada. Onde Maria Navalha passa o medo não cria raiz, porque ela transforma dor em força e silêncio em resposta.
Arreda mais um pouco, compadre, porque surge Maria Mulambo, envolta em panos de dignidade e sabedoria antiga. Já conheceu a queda, já conversou com a dor, mas nunca perdeu a grandeza. Ensina que ninguém é pequeno quando carrega respeito por si e coragem para recomeçar.
Da porteira pra fora ecoa o casco forte da Pé de Boi, senhora dos caminhos difíceis. Ela atravessa estrada escura, enfrenta coração fechado e avança onde muitos recuam. É força bruta guiada pela justiça, é firmeza que não se quebra quando o mundo tenta dobrar.
Entre risos e leveza chega a Pombagira Menina, dança solta, olhar travesso, lembrando que viver também é alegria. Ela sopra liberdade nos desejos e ensina que prazer não é culpa, é expressão da alma livre.
Sob a sombra da figueira antiga repousa a guardiã silenciosa, a Pombagira da Figueira. Observa promessas, conhece segredos e revela verdades escondidas. Nada passa sem ser visto, nada se oculta sob seus galhos de mistério e transformação.
E quando a poeira da estrada sobe, todos sabem que é a Rainha das Estradas chegando. Senhora do ir e vir, do partir e do voltar, ela protege quem caminha e abençoa quem recomeça. Toda estrada reconhece seus passos, todo viajante sente sua força.
Arreda, compadre, não é aviso, é fundamento. São comadres de fogo e sombra, de riso e justiça, mulheres que carregam liberdade no peito e poder nos pés. Onde essas senhoras pisam ninguém manda, apenas aprende a respeitar.
Porque quando a porteira se abre e Tranca Ruas permite a passagem, é a força feminina que cruza primeiro, com graça, poder e realeza.
Laroyê! Salve as Pombagiras!
Axé para todos!




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