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Lórògun, a Quaresma e as religiões de matriz africana

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • 19 de fev.
  • 2 min de leitura

Foto: Xangô, Oxaguian e Gongá de Umbanda - IA-inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá


Ritual católico foi imposto aos antigos africanos

 

Sendo um período da liturgia católica, a Quaresma tem início na Quarta-feira de Cinzas e se estende até o Domingo de Páscoa. Tradicionalmente, é marcada por rezas e jejum.

 

Durante a colonização do Brasil, o ritual da Quaresma foi imposto aos africanos como parte de um projeto de catequização forçada e apagamento cultural.

 

Diante desse contexto de repressão religiosa, muitos africanos e seus descendentes buscaram formas de adaptar seus ritos. Passaram a associar esse período ao Lórògun, antigo ritual em que há suspensão de determinadas atividades litúrgicas. No entendimento mítico, é o tempo em que os Orixás Xangô e Oxaguian vão à guerra, retornando apenas nas celebrações dedicadas a Xangô. Essa pausa ritual não nasceu da Quaresma, mas acabou sendo ligada a ela como forma de sobrevivência cultural.

Com o fortalecimento do Candomblé, a partir da segunda metade do século XX, especialmente nos grandes centros urbanos como Salvador e Rio de Janeiro, as lideranças religiosas passaram a reafirmar a autonomia de seus próprios calendários litúrgicos.

 

Babalorixás e Yalorixás deixaram de associar o Lórògun ao período da Quaresma cristã. Dessa forma, a suspensão das atividades deixou de atender a uma imposição externa e passou a seguir exclusivamente os fundamentos e as determinações da própria tradição.

 

Em antigos Terreiros de Umbanda, que mantêm o sincretismo com o catolicismo, ainda se fecha simbolicamente o Gongá durante a Quaresma. As giras de Caboclos são suspensas, e os trabalhos retornam no Sábado de Aleluia, acompanhando o calendário cristão. Trata-se de uma escolha ligada à história específica dessas casas e à forma como construíram sua identidade religiosa ao longo do tempo.

 

As religiões de matriz africana não têm na Quaresma um elemento estruturante de sua prática. Seus rituais, festas, consultas com entidades, jogos de búzios, ebós e demais obrigações seguem o calendário próprio de cada Terreiro, orientado pela tradição, pela ancestralidade e pela dinâmica interna de cada comunidade.

 

Mais do que um período de interrupção, a história da Quaresma no Brasil revela a capacidade de resistência, adaptação e afirmação das religiões afro-brasileiras diante das tentativas de silenciamento.

 

Axé para todos!

 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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