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Já jogou água no chão ou deu a bebida para o santo?

Foto do escritor: Paulo de Oxalá
Paulo de Oxalá
7 de ago.
2 min de leitura

Imagem: água, a conexão sagrada - IA-inspirada na visão de Pai Paulo de Oxalá


Ato tem milhares de anos de história

 

Antes do primeiro gole, algumas pessoas derramam um pouco de água, vinho ou outra bebida no chão. Para uns, é apenas tradição. Para outros, é um ato de profundo respeito espiritual.

 

Nas religiões de matriz africana, esse gesto é uma reverencia aos ancestrais e as divindades, reconhecendo que ninguém caminha sozinho. É uma forma de agradecer, pedir proteção e lembrar que aqueles que vieram antes de nós continuam sustentando os caminhos dos vivos.

 

O chão, a terra recebe a primeira oferta porque representa o elo entre o mundo visível e o invisível. É por meio do solo que honramos a memória dos mais velhos, reafirmando que a vida é construída sobre a herança deixada por nossos ancestrais.

 

E o mais interessante é que esse costume não pertence apenas às religiões de matriz africana.

 

Na Grécia e na Roma Antigas, vinho, leite, mel e água eram derramados em honra aos deuses e aos mortos. No Egito Antigo, cerveja e vinho eram oferecidos às divindades nos templos. Entre os antigos povos nórdicos e germânicos, hidromel e cerveja eram derramados para os deuses e para os espíritos da terra antes dos grandes banquetes. Nas antigas tradições védicas da Índia, bebidas sagradas são oferecidas aos deuses durante os rituais de fogo.

 

Ainda hoje, práticas semelhantes permanecem vivas em diversas tradições. No Xintoísmo, no Japão, água e saquê são oferecidos diariamente aos kami nos altares. No Hinduísmo, leite, água e outras substâncias são derramados sobre as imagens sagradas durante o abhisheka. Em muitas tradições indígenas e xamânicas, líquidos, chás e outras oferendas são dedicados às forças da natureza e aos espíritos. E até no catolicismo popular de influência ibérica, sobrevive o antigo costume do "primeiro gole para o sagrado", uma herança das antigas práticas de libação europeias.

 

Por isso, quando alguém pergunta: "Já deu a bebida para o santo?", está, muitas vezes sem saber, fazendo referência a um dos rituais mais antigos da humanidade: o de oferecer a primeira parte do que recebemos em sinal de gratidão, respeito e reverência ao sagrado.

 

Um gesto simples, mas que atravessa civilizações, conecta gerações e mantém viva a memória daqueles que vieram antes de nós.

 

Àṣà ń jẹ́ kí ìgbàgbọ́ àti ìtàn ènìyàn wà láàyè.

(A tradição mantém viva a fé e a história da humanidade.)

 

Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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