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Como nasceram os Blocos de Afoxé no Brasil

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • 12 de fev.
  • 3 min de leitura

Foto: Afoxé Filhos de Gandhi do Rio de Janeiro – rede social


Saiba sobre os desfiles de Afoxés e Blocos Afros

 

A palavra Àfọ̀sẹ̀, Afoxé, em yorùbá, denomina uma vertente oracular ligada ao culto de Ifá e ao encantamento. Inspirados nessa força dos encantamentos, no final do século XIX e início do século XX, surgiram na Bahia os primeiros Blocos de Afoxé, idealizados por Ogans dos Terreiros de Candomblé.

 

Conhecidos como Candomblé de Rua, os Afoxés nasceram com o propósito de manter as tradições afro-religiosas e afirmar a identidade negra em um período de forte repressão. Muitas cantigas eram dedicadas aos Orixás Ọ̀ṣun e Òṣàlá, entoadas no ritmo Ìjẹ̀sà.

 

Uma das raízes do Afoxé está na festa anual de Ọ̀ṣun, realizada na cidade de Òṣogbo, capital do estado de Ọ̀ṣun, na Nigéria. Após a celebração religiosa, os tocadores dos tambores sagrados trocam os instrumentos rituais e seguem em cortejo pelas ruas, ao som do Ìjẹ̀sà, arrastando a multidão.

 

Durante muito tempo, devido à repressão ao Candomblé, era tabu que seus seguidores saíssem às ruas para brincar o carnaval. Esse cenário começou a mudar a partir da metade do século XX, com a aproximação de intelectuais e artistas aos Terreiros. Unidos a Ogans que trabalhavam no cais do porto de Salvador, fundaram o Afoxé Filhos de Gandhy, que entoava cânticos de Ògún e Òṣàlá, em ritmo de Ìjẹ̀sà.

 

Outros grupos surgiram posteriormente, como o Afoxé Badauê, fundado no final da década de 1970 por jovens artistas, capoeiristas e percussionistas do Engenho Velho de Brotas, liderados por Moa do Katendê. O grupo trouxe nova estética ao carnaval, dialogando tradição e contemporaneidade, e atraiu nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Também se destacou o Filhos do Congo, criado em 1980, fortalecendo a presença do Afoxé no carnaval de Salvador.

 

Os Blocos de Afoxé têm como base o ritmo Ìjẹ̀sà, cadenciado e sagrado nos Terreiros. O cortejo é marcado por instrumentos de percussão, como atabaques, agogôs, surdos e o xequerê, feito de cabaça envolta por rede de contas. As músicas são cantadas, muitas vezes em língua yorùbá, em alusão aos Orixás. O branco, cor principal das vestes religiosas do Candomblé, marca presença e é combinado com as cores do Orixá patrono do Afoxé, preservando, assim, o elo com a fé.

 

Os Afoxés nasceram não apenas como manifestação festiva, mas como ato político e cultural de afirmação da identidade afro-brasileira, tornando-se patrimônio imaterial em diversas cidades. Espalharam-se pelo país e consolidaram-se como importante expressão da cultura negra no Brasil.

 

No Rio de Janeiro, o Bloco Afro Filhos de Gandhi marcou a história dos Blocos afros. Fundado em 1951 por Aurelino Gervásio da Encarnação, com apoio de trabalhadores do Cais do Porto e moradores da Saúde e da Gamboa, tornou-se referência cultural.

 

O Afoxé Filhos de Gandhi do Rio de Janeiro desfila neste domingo, 15 de fevereiro, às 16h, na Pequena África, na Rua do Livramento com Sacadura Cabral, atrás da Fundação Darcy Vargas. Na terça-feira, dia 17, desfila em Copacabana, às 9h30, em frente ao Copacabana Palace.

 

Os desfiles dos Blocos Afros e Afoxés, organizados pela FEBARJ, acontecem na Avenida Chile, na terça-feira de carnaval. A concentração está marcada para as 15h e os blocos se apresentam às 16h.

 

Participam Afoxé Filhas de Gandhi, Afoxé Filhos da Paz, Afoxé Raízes Africanas, Bloco Afro Zimbawe, Bloco Afro Taparaogi, Bloco Afro Olodumaré, Bloco Afro Lemi Aiyó e Bloco Afro Orunmila.

 

Ṣáájú kí o tó ṣeré yọ̀ Èṣù olúwa ayọ̀ ènìyàn!

(Antes de brincar, alegre Exu, o senhor da felicidade humana!)

 

Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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