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A festa mais famosa do país repete exclusão: cadê os cantores das religiões afro?

  • Foto do escritor: Paulo de Oxalá
    Paulo de Oxalá
  • 5 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de dez. de 2025

Foto: réveillon de Yemanjá – arquivo Pai Paulo de Oxalá


O evento na orla começou com o povo de Terreiro

 

Todos os anos, milhões de pessoas se reúnem na praia para celebrar a virada do ano aos pés do maior altar sagrado que existe, o mar de Yemanjá. Cantam, dançam, fazem pedidos, agradecem, jogam flores e vestem branco seguindo a tradição.

Mas o poder público, esquece algo essencial. Quem começou tudo isso não foi o show business. Foi o povo de santo.

 

O famoso réveillon de Copacabana, hoje disputado por artistas internacionais e transmitido para o mundo inteiro, nasceu nas mãos humildes e poderosas dos Terreiros. Nos anos 60, foram praticantes da Umbanda que levaram suas oferendas às praias de Copacabana e transformaram a passagem do ano em um grande rito de fé para Yemanjá.

A partir daí as Giras de fim de ano se espalharam pelo Estado e pelo país. A multidão só veio depois. O espetáculo só veio depois. O glamour só veio depois.

 

A verdade é simples e pouco falada. O maior réveillon do planeta foi criado pelo povo de axé.

 

Hoje, Copacabana recebe artistas do mundo inteiro, de Rolling Stones a Madonna, de Stevie Wonder a Lady Gaga. E nesta passagem de 2025 para 2026 não será diferente, com Gilberto Gil, Alcione, Ney Matogrosso, Iza, João Gomes, Alok, Mart’nália, Diogo Nogueira, Bloco da Preta, Grande Rio, Beija Flor e até um palco gospel, que cresce a cada ano segundo a Riotur.

 

Respeito o crescimento, respeito o segmento, mas não posso deixar de perguntar:

Onde estão os cantores do axé sagrado?

Onde estão aqueles que levam a música de terreiro com verdade e ancestralidade?

 

Rita Benneditto, Juliana Del Passo, Fabiana Cozza, Tião Casimiro, Luan Pureza, Sandro Luiz. Este último arrastando multidões e lotando teatros. E tantos outros que mantêm viva a musicalidade que deu origem a tudo isso.

 

Por que eles não sobem ao palco?

Por que não podem cantar para Yemanjá se foram os seus que criaram essa celebração?

Por que o Brasil pode cantar para a Mãe das Águas, mas o povo que a cultua não pode?

 

Não é apenas sobre oferendas.

É sobre reconhecimento.

É sobre justiça.

É sobre devolver ao povo de axé o lugar que sempre foi seu.

 

Se todos cantam no réveillon de Yemanjá, o povo de santo também precisa cantar. Até porque, pela história, essa noite tão especial também pertence àqueles que começaram tudo, banhados pelo axé e pelas águas sagradas da Grande Mãe.

 

Ìṣe ń sọ̀rọ̀ ju ọ̀rọ̀ lọ. (Fatos falam mais que palavras.)

 

Axé para todos!


 
 
 

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Tags: Babalorixá, Simpatia, Búzios, Tarot e numerologia

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