Agbára Dúdú da Globoplay e Futura exaltam Pai João da Goméia e Mãe Olga do Alákétu
- Paulo de Oxalá

- 17 de jul.
- 3 min de leitura

Fotos: Pai João da Goméia e Mãe Olga do Alákétu - divulgação
A 2ª temporada do documentário reafirma o Candomblé como patrimônio vivo da cultura afro-brasileira
Agbára Dúdú significa, em yorùbá, Força Negra ou Poder Negro. A expressão traduz muito mais do que resistência: simboliza a força ancestral de um povo que transformou dor em identidade, preservou sua espiritualidade diante das perseguições e fez das comunidades de Terreiro verdadeiros guardiões da memória, da cultura e da dignidade negra.
É justamente essa potência que inspira a série documental Agbára Dúdú – Narrativas Negras, cuja segunda temporada estreia neste 28 de julho, às 22h30, com exibição gratuita pelo Globoplay e pelo Canal Futura.
Produzida na Bahia e construída em parceria com comunidades tradicionais de Terreiro, a série percorre diferentes regiões do Brasil para mostrar que o Candomblé é muito mais do que uma religião: é um dos pilares da formação cultural brasileira. Ao longo de 13 episódios, o documentário visita 14 Terreiros localizados na Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe, revelando histórias marcadas pela ancestralidade, pela fé, pela resistência e pela preservação de conhecimentos transmitidos de geração em geração.
Gravada em cidades como Salvador, Cachoeira, Lençóis, Recife, Olinda, São Luís, Rio de Janeiro, São João de Meriti e Nova Iguaçu, a produção apresenta sacerdotes, sacerdotisas, mestres e guardiões da cultura afro-brasileira que compartilham suas vivências e ajudam a compreender a profunda contribuição dos povos de terreiro para a identidade nacional.
Entre os destaques da nova temporada estão episódios dedicados a duas personalidades fundamentais da história do Candomblé brasileiro. Um com Joãozinho da Goméia, sacerdote que revolucionou a visibilidade das religiões de matriz africana no século XX. Nascido na Bahia e fundador do célebre Axé Goméia, Salvador e Rio de Janeiro, Pai João rompeu preconceitos, levou o Candomblé aos palcos, dialogou com artistas, intelectuais e políticos e tornou-se uma das personalidades religiosas mais influentes de sua época.
Outro episódio resgata a trajetória de Mãe Olga do Alákétu, uma das mais importantes Yalorixás do Brasil. Herdeira de um dos mais antigos Terreiros de Candomblé do país, o Ilé Márọya Lájí (Alákétu), em Salvador, Mãe Olga dedicou sua vida à preservação das tradições ancestrais, ao fortalecimento da cultura afro-brasileira e ao combate à intolerância religiosa.
Idealizada por uma equipe formada majoritariamente por profissionais ligados às comunidades de axé, a série tem direção e roteiro de Silvana Moura, Ẹkẹdi e pesquisadora da cultura afro-brasileira. A proposta é oferecer ao público uma narrativa construída por quem vive o cotidiano dos terreiros, apresentando o candomblé a partir de sua própria voz, sem estereótipos ou distorções.
Mais do que registrar rituais e tradições, Agbára Dúdú – Narrativas Negras reafirma o papel dos Terreiros como espaços de acolhimento, produção de conhecimento, preservação da memória e resistência cultural. Em um momento em que ainda persistem casos de racismo e intolerância religiosa, a série torna-se um importante instrumento de valorização da diversidade e de reconhecimento da herança africana que ajudou a construir o Brasil.
Como ensina um provérbio yorùbá:
"Agbára ìṣẹ̀ ni ń mú ìran dúró." (É a força daquilo que preservamos que mantém viva a nossa ancestralidade.)

Fotos: Agbára Dúdú – Narrativas Negras - Globoplay e Canal Futura
Serviço
Agbára Dúdú – Narrativas Negras
Estreia da 2ª temporada: 28 de julho, às 22h30.
Onde assistir: gratuitamente pelo Globoplay e pelo Canal Futura, com exibição também na programação da emissora.
Axé para todos!




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