Momento único com Mãe Stella de Oxóssi
- Paulo de Oxalá
- 28 de dez. de 2018
- 3 min de leitura

Era janeiro de 2015, quando eu li na coluna de Ancelmo Gois, que Frei Beto (autor de 60 livros editados) tinha sugerido que para uma eventual vaga à ABL fosse lembrado o nome de Mãe Stella de Oxóssi (autora de oito livros), muito amada e reverenciada no Candomblé.
Já tinha lido em outro artigo, que Mãe Stella tinha inaugurado, um ônibus, com uma biblioteca itinerante com livros ligados à espiritualidade.
Fiquei maravilhado com a força daquela Yalorixá com então, 89 anos e produzindo pelo Candomblé.
Então fui a Salvador, e pude comprovar que além de toda a importância que lhe cercava como Yalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá (uma das mais importantes casas de Candomblé do Brasil) e membro da Academia de Letras da Bahia (ALB), Mãe Stella era também um grande exemplo em humildade.
E no sábado, 10 de janeiro de 2015, em uma conversa direta, desprovida de formalidades para o nosso blog, Mãe Stella falou pela primeira vez sobre a declaração de Frei Beto e com muito entusiasmo sobre a biblioteca móvel, um projeto de sua autoria num ônibus com uma biblioteca com livros não só da cultura afro, mas também de todos os segmentos sociais e religiosos.
Mãe Stella, o que a Senhora achou da declaração de Frei Beto?
- Primeiro sinto-me honrada, depois acho que foi muita generosidade da parte dele, que tem um trabalho muito importante para o nosso país, lembrar-se do meu nome. Eu, que sempre quis ver todo o trabalho do povo do Orixá ser reconhecido, fico muito feliz por poder contribuir um pouquinho com aquilo que posso realizar. Eu acho que se cada um fizer a sua parte, nós poderemos ajudar a construir um mundo mais amável e com maior respeito.
Mãe Stella, como foi o começo do projeto da biblioteca dentro de um ônibus?
-Tudo começou quando um dia eu estava deitada em minha sala e passou pela rua um comprador e vendedor de sucatas que gritava: “aqui nós compramos até ilusões”. Aquilo me fez refletir muito. Nesse tempo eu escrevia artigos para um jornal aqui de Salvador, e escrevi um sobre a importância de se ter sonhos na vida. Este artigo teve uma grande repercussão e como nós tínhamos também o nosso sonho da biblioteca itinerante, um grupo de amigos reuniu-se e comprou um ônibus usado. E como a ideia é grandiosa, eles resolveram aperfeiçoar comprando um ônibus novo, mais confortável para o projeto.
Qual o nome dado a esse projeto, quando foi inaugurado e qual a principal finalidade?
- O projeto do ônibus foi batizado de “Ânimoteca” no sentido do ânimo de alegria e do ânimo como essência divina que prá nós é o Orixá. Nós inauguramos o ônibus em setembro de 2014 no dia do lançamento do livro As Folhas Cantam (Para Quem Canta Folha). Nossa vontade é levar cultura às comunidades e cidades da Bahia. Além da cultura afro, nós reunimos livros de outras religiões, desejando assim que todos se unam através do esclarecimento. O Ânimoteca faz parte de um outro projeto “Encontro colorido da espiritualidade baiana” que tenta fazer um mundo mais encantador, com lançamentos de livros de poesia e murais com fotos de pessoas se abraçando.
Como as pessoas podem ter acesso ao Ânimoteca?
- De 16 até 31 de janeiro o Ânimoteca estará em Salvador, no terminal Marítimo de São Joaquim, mais conhecido como Ferry-boat quando terá uma extensa programação. Já no dia 21 de janeiro, que se celebra o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, por ser uma data que serve de motivação pela liberdade de culto religioso, será feito dentro da programação um recital de poesias com muitos cânticos.
Esta é Mãe Stella de Oxóssi, que entra para a história do Candomblé, com toda a sua experiência e sabedoria, e que nos mostrou que a fé é um tesouro inesgotável que torna os sonhos em realidade!
Mãe Stella: “Nã àlá sí bèrè tání mú se!” (O sonho é o começo da realização!)
Axé!




Comentários